Você sabe o que é Psoríase? Não? Veja!
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Uma dúvida, o que é Psoríase? o Brasil Noticias percorreu ruas de São Paulo (SP), Brasilia (DF), Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO), e finalizando no Rio de Janeiro (RJ), Ao todo foram 458 entrevistados, desses 458 entrevistados apenas 89 soube o que é Psoríase, mais fim do mistério, o que é Psoríase?
"Psoríase é uma doença inflamatória da pele, crônica, não contagiosa, multigênica (vários genes envolvidos), com incidência genética em cerca de 30% dos casos. Caracteriza-se por lesões avermelhadas e descamativas, normalmente em placas, que aparecem, em geral, no couro cabeludo, cotovelos e joelhos. Surge principalmente antes dos 30 e após os 50 anos, mas em 15% dos casos pode parecer ainda na infância.", explica Dr. Drauzio Varella.
Segundo Dr. Drauzio Varella existem vários tipos de psoríase:
A) Psoríase Vulgar – lesões de tamanhos variados, delimitadas e avermelhadas, com escamas secas, aderentes, prateadas ou acinzentadas que surgem no couro cabeludo, joelhos e cotovelos;

Psoríase Vulgar
B) Psoríase Invertida – lesões mais úmidas, localizadas em áreas de dobras como couro cabeludo, joelhos e cotovelos;

Psoríase Invertida
C) Psoríase Gutata – pequenas lesões localizadas, em forma de gotas, associadas a processos infecciosos. Geralmente, aparecem no tronco, braços e coxas (bem próximas aos ombros e quadril) e ocorrem com maior frequência em crianças e adultos jovens;

Psoríase Gutata
D) Psoríase Eritrodérmica – lesões generalizadas em 75% ou mais do corpo;

Psoríase Eritrodérmica
E) Psoríase Ungueal – surgem depressões puntiformes ou manchas amareladas principalmente nas unhas da mãos;

Psoríase Ungueal
F) Psoríase Artropática – em cerca de 8% dos casos, pode estar associada a comprometimento articular. Surge de repente com dor nas pontas dos dedos das mãos e dos pés ou nas grandes articulações como a do joelho.

Psoríase Artropática
G) Psoríase Postulosa – aparecem lesões com pus nos pés e nas mãos (forma localizada) ou espalhadas pelo corpo;

Psoríase Postulosa

Psoríase Postulosa
H) Psoríase Palmo-plantar – as lesões aparecem como fissuras nas palmas das mãos e solas dos pés.

Psoríase Palmo-plantar
Causas
As causas da psoríase ainda não são totalmente conhecidas, estima-se, no entanto, que a origem desta doença pode provir de um distúrbio do sistema imunológico. É constatado que esta doença tem também um forte composto hereditário ou genético. Isso significa que em cerca de um terço dos casos, um parente sofreu ou sofre desta dermatose. Os brancos (caucasianos) são mais frequentemente atingidos pela psoríase, o que reforça a idéia de um forte composto genético. De fato teria sido encontrado um gene que tem ligação com o desenvolvimento da psoríase. Para resumir, podemos dizer que a psoríase pode ter causas multifatoriais (genética, doença auto-imune e, eventualmente, origens ambientais).
Todavia, fatores desencadeadores (=fatores agravantes) podem estimular ou agravar uma psoríase (existente), quase sempre trata-se de diversos fatores que juntos, irão desencadear a doença ou uma crise:
- O estresse (favorece em particular o surgimento da psoríase);
- Doenças infecciosas como a inflamação da garganta;
- Um clima frio (o inverno no hemisfério norte, na Europa, Canadá ou EUA, por exemplo);
- A tomada de determinados medicamentos (por exemplo, o lítio, antipalúdicos, beta-bloqueadores, interferon);
- Um traumatismo na vida: falecimento, etc.;
- Problemas psíquicos;
- Um excesso de peso, a obesidade (confirmado por um estudo de 2007);
- Um machucado;
- Fatores hormonais (por ex. a gravidez);
- Diversos problemas hormonais ou metabólicos;
- O consumo de álcool (sobretudo para os homens) e/ou tabaco (seria responsável por um quarto dos casos de psoríase, confirmado por um estudo do final de 2007);
- Excesso de sol;
Projeto de Lei
Com estes dois dados já é possível destacar a importância de se ter uma data em se concentrem os esforços para esclarecimento e combate à doença todo dia 29 de outubro foi instituído, por meio de um projeto de lei feito pelo Senador Delcídio Amaral (PT-MS), em 2006, como Dia Nacional de Combate à Psoríase.

Segundo o senador, o que motivou criar a data foi acompanhar de perto o sofrimento de amigos e familiares que têm a doença e principalmente por perceber que a falta de informação sobre a patologia acaba agravando ainda mais a psoríase. “É fato o desconhecimento da população sobre a doença, as pesquisas estão aí para comprovar. Isso gera um estigma muito grande aos portadores da doença, que sofrem preconceito e são excluídos, em razão de suas marcas na pele. Mas, é preciso destacar que a doença não é contagiosa, é incurável, mas tem tratamento”, destaca Delcídio.
E no Brasil a Psoríase atinge cerca de 5 milhões de Brasileiros, um número preocupante.
O Dermatologista inglês, Alan Menter, falou sobre a doença em sua passagem pelo Brasil.
Desenvolvimento
"Um fator desencadeador desconhecido (antígeno) combina-se com um linfócito chamado célula T, desencadeando a liberação de citoquinas que vão até os linfonodos. Liberadas para a pele em excesso, elas acabam produzindo um ciclo de inflamação, tornando a derme vermelha, espessa e com lesões descamativas, que são as três características principais da psoríase.", disse o dermatologista.
Impacto da doença aos Pacientes
"A psoríase causa impacto devastador na qualidade de vida dos doentes. Ela chega a ser tão impactante quanto doenças como câncer e insuficiência cardíaca. Muitas vezes, os pacientes se sentem rejeitados ou discriminados em seus ambientes sociais e de trabalho. A doença está intimamente associada a casos de depressão, suicídio e comorbidades frequentes, como problemas de coração, diabetes e obesidade."
A psoríase pode estar relacionada a outros males? Quais são os principais desencadeantes da doença?
"Qualquer arranhão, corte, incisão cirúrgica na pele ou até mesmo uma queimadura de sol pode desencadear uma placa de psoríase duas semanas após a cicatrização desse trauma. Isto é conhecido como fenômeno de Koebner. Fatores importantes de estresse, como a perda de um ente querido, insegurança no emprego, brigas com familiares ou uma cirurgia de grande porte podem provocar a psoríase. Ela também pode estar relacionada à doença de Crohn, ao diabetes e, ocasionalmente, a problemas na tireoide e à esclerose múltipla."
A medicina tem avançado na compreensão da doença? Já é possível dizer como o processo da psoríase acontece?
"Com certeza. Estamos nos esforçando bastante para compreender cada vez mais esse mal. Hoje, sabemos que é como se o sistema nervoso pudesse produzir citoquinas (substâncias químicas) a partir das inserções dos nervos na pele. A liberação química dessas substâncias desencadeia a psoríase a partir de um episódio de estresse ou ansiedade. Além disso, há a questão genética, havendo uma interação entre todos estes fatores."
Como são os tratamentos convencionais?
"Os tratamentos convencionais, com a ciclosporina e o metotrexato, agem reduzindo a liberação das citoquinas na circulação e na pele. Os retinoides desaceleram o aumento na hiperproliferação de células epidérmicas causada pela liberação das citoquinas. No entanto, a ciclosporina só pode ser prescrita por curtos períodos de tempo, devido aos riscos de danos renais e problemas de pressão arterial. Os retinoides não podem ser receitados para mulheres em idade reprodutiva devido à teratogenicidade, ou seja, risco de má-formação congênita. Nos casos moderados a grave, são utilizados medicamentos biológicos. Atualmente, essas drogas funcionam em cerca de 55% a 75% dos pacientes, mas perdem sua eficácia com o tempo."
Quais são as descobertas mais recentes para prevenir, controlar ou eliminar a doença?
"Infelizmente, a psoríase é uma doença autoimune e ainda não tem cura. Novas descobertas permitirão entender melhor os fatores desencadeadores para reduzir as exacerbações. A ciência estuda, atualmente, os múltiplos anticorpos monoclonais projetados para interagir com químicos específicos (citocinas) envolvidos na psoríase. Novas moléculas, drogas anti-inflamatórias, inibidores de citocinas — alguns serão ministrados por injeção, outros por via oral — também estão em pesquisa."
Qual a expectativa em relação as essas novas pesquisas?
"Elas podem proporcionar um tratamento mais individualizado e possivelmente alcançar períodos mais longos de remissão, com menos efeitos colaterais para pacientes com psoríase moderada a grave pelo resto de suas vidas. Será revolucionário, por exemplo, estabelecer o perfil genético de pacientes para encontrar as drogas corretas para cada um deles."
Quais as novidades já em prática em relação a tratamento?
"A principal novidade é um novo medicamento biológico, o UIstekinumab, que tem eficácia em 80% a 90% dos pacientes. Ao contrário da ciclosporina, ele pode ser usado a longo prazo. Outro benefício é a comodidade posológica, pois é administrado somente quatro vezes ao ano por meio de injeção subcutânea. No caso dos outros biológicos já existentes, a injeção deve ser semanal. É importante reconhecer que a psoríase é uma doença crônica. Para as pessoas com as formas moderada e grave da doença (cerca de um em cada cinco pacientes), é necessário o tratamento crônico com um agente sistêmico ou biológico. Isso é fundamental para que esses pacientes permaneçam membros produtivos da sociedade e tenham relacionamentos normais com seus pares e entes queridos. A depressão em pacientes com as formas mais graves de psoríase é frequente, especialmente em indivíduos mais jovens. Por tudo isso, o tratamento correto é tão importante."
Como pesquisador e presidente do IPC, qual a sua linha de ação?
"Definitivamente, é aumentar o conhecimento sobre psoríase e usá-lo para instruir médicos a tratar seus pacientes com terapias melhores. Tenho concentrado meu trabalho em duas áreas diferentes. A primeira é dirigida ao desenvolvimento de uma ferramenta efetiva de medição, que servirá para prever a gravidade da doença de um paciente e assim apontar o tratamento adequado. Já conseguimos avançar na identificação dos elementos específicos de psoríase que se correlacionam e acabamos de submeter esse achado ao Journal of Investigative Dermatology. A segunda se refere à conexão de psoríase e as comorbidades cardiovasculares. A pele é a janela para o funcionamento do interior do corpo e a psoríase é indicadora de uma inflamação sistêmica profunda. Iniciamos um estudo clínico com o objetivo de determinar de uma vez por todas a conexão entre psoríase e o índice de massa corporal, um dos principais fatores de risco cardiovascular. Tenho orgulho de dizer que esse trabalho já tem 75% de inscrições. Tenho certeza de que ele fornecerá informações fundamentais para a medicina."
Uma dúvida, o que é Psoríase? o Brasil Noticias percorreu ruas de São Paulo (SP), Brasilia (DF), Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO), e finalizando no Rio de Janeiro (RJ), Ao todo foram 458 entrevistados, desses 458 entrevistados apenas 89 soube o que é Psoríase, mais fim do mistério, o que é Psoríase?
"Psoríase é uma doença inflamatória da pele, crônica, não contagiosa, multigênica (vários genes envolvidos), com incidência genética em cerca de 30% dos casos. Caracteriza-se por lesões avermelhadas e descamativas, normalmente em placas, que aparecem, em geral, no couro cabeludo, cotovelos e joelhos. Surge principalmente antes dos 30 e após os 50 anos, mas em 15% dos casos pode parecer ainda na infância.", explica Dr. Drauzio Varella.
Segundo Dr. Drauzio Varella existem vários tipos de psoríase:
A) Psoríase Vulgar – lesões de tamanhos variados, delimitadas e avermelhadas, com escamas secas, aderentes, prateadas ou acinzentadas que surgem no couro cabeludo, joelhos e cotovelos;
Psoríase Vulgar
B) Psoríase Invertida – lesões mais úmidas, localizadas em áreas de dobras como couro cabeludo, joelhos e cotovelos;
Psoríase Invertida
C) Psoríase Gutata – pequenas lesões localizadas, em forma de gotas, associadas a processos infecciosos. Geralmente, aparecem no tronco, braços e coxas (bem próximas aos ombros e quadril) e ocorrem com maior frequência em crianças e adultos jovens;
Psoríase Gutata
D) Psoríase Eritrodérmica – lesões generalizadas em 75% ou mais do corpo;

Psoríase Eritrodérmica
E) Psoríase Ungueal – surgem depressões puntiformes ou manchas amareladas principalmente nas unhas da mãos;
Psoríase Ungueal
F) Psoríase Artropática – em cerca de 8% dos casos, pode estar associada a comprometimento articular. Surge de repente com dor nas pontas dos dedos das mãos e dos pés ou nas grandes articulações como a do joelho.

Psoríase Artropática
G) Psoríase Postulosa – aparecem lesões com pus nos pés e nas mãos (forma localizada) ou espalhadas pelo corpo;
Psoríase Postulosa
Psoríase Postulosa
H) Psoríase Palmo-plantar – as lesões aparecem como fissuras nas palmas das mãos e solas dos pés.
Psoríase Palmo-plantar
Causas
As causas da psoríase ainda não são totalmente conhecidas, estima-se, no entanto, que a origem desta doença pode provir de um distúrbio do sistema imunológico. É constatado que esta doença tem também um forte composto hereditário ou genético. Isso significa que em cerca de um terço dos casos, um parente sofreu ou sofre desta dermatose. Os brancos (caucasianos) são mais frequentemente atingidos pela psoríase, o que reforça a idéia de um forte composto genético. De fato teria sido encontrado um gene que tem ligação com o desenvolvimento da psoríase. Para resumir, podemos dizer que a psoríase pode ter causas multifatoriais (genética, doença auto-imune e, eventualmente, origens ambientais).
Todavia, fatores desencadeadores (=fatores agravantes) podem estimular ou agravar uma psoríase (existente), quase sempre trata-se de diversos fatores que juntos, irão desencadear a doença ou uma crise:
- O estresse (favorece em particular o surgimento da psoríase);
- Doenças infecciosas como a inflamação da garganta;
- Um clima frio (o inverno no hemisfério norte, na Europa, Canadá ou EUA, por exemplo);
- A tomada de determinados medicamentos (por exemplo, o lítio, antipalúdicos, beta-bloqueadores, interferon);
- Um traumatismo na vida: falecimento, etc.;
- Problemas psíquicos;
- Um excesso de peso, a obesidade (confirmado por um estudo de 2007);
- Um machucado;
- Fatores hormonais (por ex. a gravidez);
- Diversos problemas hormonais ou metabólicos;
- O consumo de álcool (sobretudo para os homens) e/ou tabaco (seria responsável por um quarto dos casos de psoríase, confirmado por um estudo do final de 2007);
- Excesso de sol;
Projeto de Lei
Com estes dois dados já é possível destacar a importância de se ter uma data em se concentrem os esforços para esclarecimento e combate à doença todo dia 29 de outubro foi instituído, por meio de um projeto de lei feito pelo Senador Delcídio Amaral (PT-MS), em 2006, como Dia Nacional de Combate à Psoríase.
Segundo o senador, o que motivou criar a data foi acompanhar de perto o sofrimento de amigos e familiares que têm a doença e principalmente por perceber que a falta de informação sobre a patologia acaba agravando ainda mais a psoríase. “É fato o desconhecimento da população sobre a doença, as pesquisas estão aí para comprovar. Isso gera um estigma muito grande aos portadores da doença, que sofrem preconceito e são excluídos, em razão de suas marcas na pele. Mas, é preciso destacar que a doença não é contagiosa, é incurável, mas tem tratamento”, destaca Delcídio.
E no Brasil a Psoríase atinge cerca de 5 milhões de Brasileiros, um número preocupante.
Especialista fala sobre Psoríase
O Dermatologista inglês, Alan Menter, falou sobre a doença em sua passagem pelo Brasil.
Desenvolvimento
"Um fator desencadeador desconhecido (antígeno) combina-se com um linfócito chamado célula T, desencadeando a liberação de citoquinas que vão até os linfonodos. Liberadas para a pele em excesso, elas acabam produzindo um ciclo de inflamação, tornando a derme vermelha, espessa e com lesões descamativas, que são as três características principais da psoríase.", disse o dermatologista.
Impacto da doença aos Pacientes
"A psoríase causa impacto devastador na qualidade de vida dos doentes. Ela chega a ser tão impactante quanto doenças como câncer e insuficiência cardíaca. Muitas vezes, os pacientes se sentem rejeitados ou discriminados em seus ambientes sociais e de trabalho. A doença está intimamente associada a casos de depressão, suicídio e comorbidades frequentes, como problemas de coração, diabetes e obesidade."
A psoríase pode estar relacionada a outros males? Quais são os principais desencadeantes da doença?
"Qualquer arranhão, corte, incisão cirúrgica na pele ou até mesmo uma queimadura de sol pode desencadear uma placa de psoríase duas semanas após a cicatrização desse trauma. Isto é conhecido como fenômeno de Koebner. Fatores importantes de estresse, como a perda de um ente querido, insegurança no emprego, brigas com familiares ou uma cirurgia de grande porte podem provocar a psoríase. Ela também pode estar relacionada à doença de Crohn, ao diabetes e, ocasionalmente, a problemas na tireoide e à esclerose múltipla."
A medicina tem avançado na compreensão da doença? Já é possível dizer como o processo da psoríase acontece?
"Com certeza. Estamos nos esforçando bastante para compreender cada vez mais esse mal. Hoje, sabemos que é como se o sistema nervoso pudesse produzir citoquinas (substâncias químicas) a partir das inserções dos nervos na pele. A liberação química dessas substâncias desencadeia a psoríase a partir de um episódio de estresse ou ansiedade. Além disso, há a questão genética, havendo uma interação entre todos estes fatores."
Como são os tratamentos convencionais?
"Os tratamentos convencionais, com a ciclosporina e o metotrexato, agem reduzindo a liberação das citoquinas na circulação e na pele. Os retinoides desaceleram o aumento na hiperproliferação de células epidérmicas causada pela liberação das citoquinas. No entanto, a ciclosporina só pode ser prescrita por curtos períodos de tempo, devido aos riscos de danos renais e problemas de pressão arterial. Os retinoides não podem ser receitados para mulheres em idade reprodutiva devido à teratogenicidade, ou seja, risco de má-formação congênita. Nos casos moderados a grave, são utilizados medicamentos biológicos. Atualmente, essas drogas funcionam em cerca de 55% a 75% dos pacientes, mas perdem sua eficácia com o tempo."
Quais são as descobertas mais recentes para prevenir, controlar ou eliminar a doença?
"Infelizmente, a psoríase é uma doença autoimune e ainda não tem cura. Novas descobertas permitirão entender melhor os fatores desencadeadores para reduzir as exacerbações. A ciência estuda, atualmente, os múltiplos anticorpos monoclonais projetados para interagir com químicos específicos (citocinas) envolvidos na psoríase. Novas moléculas, drogas anti-inflamatórias, inibidores de citocinas — alguns serão ministrados por injeção, outros por via oral — também estão em pesquisa."
Qual a expectativa em relação as essas novas pesquisas?
"Elas podem proporcionar um tratamento mais individualizado e possivelmente alcançar períodos mais longos de remissão, com menos efeitos colaterais para pacientes com psoríase moderada a grave pelo resto de suas vidas. Será revolucionário, por exemplo, estabelecer o perfil genético de pacientes para encontrar as drogas corretas para cada um deles."
Quais as novidades já em prática em relação a tratamento?
"A principal novidade é um novo medicamento biológico, o UIstekinumab, que tem eficácia em 80% a 90% dos pacientes. Ao contrário da ciclosporina, ele pode ser usado a longo prazo. Outro benefício é a comodidade posológica, pois é administrado somente quatro vezes ao ano por meio de injeção subcutânea. No caso dos outros biológicos já existentes, a injeção deve ser semanal. É importante reconhecer que a psoríase é uma doença crônica. Para as pessoas com as formas moderada e grave da doença (cerca de um em cada cinco pacientes), é necessário o tratamento crônico com um agente sistêmico ou biológico. Isso é fundamental para que esses pacientes permaneçam membros produtivos da sociedade e tenham relacionamentos normais com seus pares e entes queridos. A depressão em pacientes com as formas mais graves de psoríase é frequente, especialmente em indivíduos mais jovens. Por tudo isso, o tratamento correto é tão importante."
Como pesquisador e presidente do IPC, qual a sua linha de ação?
"Definitivamente, é aumentar o conhecimento sobre psoríase e usá-lo para instruir médicos a tratar seus pacientes com terapias melhores. Tenho concentrado meu trabalho em duas áreas diferentes. A primeira é dirigida ao desenvolvimento de uma ferramenta efetiva de medição, que servirá para prever a gravidade da doença de um paciente e assim apontar o tratamento adequado. Já conseguimos avançar na identificação dos elementos específicos de psoríase que se correlacionam e acabamos de submeter esse achado ao Journal of Investigative Dermatology. A segunda se refere à conexão de psoríase e as comorbidades cardiovasculares. A pele é a janela para o funcionamento do interior do corpo e a psoríase é indicadora de uma inflamação sistêmica profunda. Iniciamos um estudo clínico com o objetivo de determinar de uma vez por todas a conexão entre psoríase e o índice de massa corporal, um dos principais fatores de risco cardiovascular. Tenho orgulho de dizer que esse trabalho já tem 75% de inscrições. Tenho certeza de que ele fornecerá informações fundamentais para a medicina."
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