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Absurdo: Homem espera dias para enterrar o filho após paralisação de legistas

do GAZETA DO DIA
em Vitória, (ES)


Criança morreu após estrutura de muro
cair sobre seu corpo.

Em Vitória, no Espírito Santo, o garçom Fernando Augusto Pimentel, 34, perdeu o filho de apenas 8 anos de idade após o muro do vizinho cair. Agora a luta é para conseguir enterrar o corpo da criança. Os 35 médicos legistas que trabalham no Departamento de Médico Legal (DML) paralisaram suas atividades. Os profissionais exigem boas condições de trabalho do Governo do Espírito Santo. O Sindicato dos Médicos do estado fez várias denúncias sobre a estrutura do Departamento de Médico Legal (DML).

Os profissionais exigem melhores salários, melhoria na estrutura do DML, e contratação de mais médicos legistas. Atualmente o salário dos médicos legistas é de R$ 4.200, os profissionais exigem R$ 6.500 reais. O Governo do estado alega que falta gestão e boa vontade de boa parte dos médicos que trabalham no local.

Enquanto os legistas estão com os braços cruzados, e o Governo sem resposta, quem sofre é a sociedade. "Já não basta toda a dor e sofrimento de perder um ente querido e, agora, também, mais uma angústia por não saber quando poderei velar o corpo do meu filho e seguir em paz. A cada hora que passa, a aflição é maior dentro do peito.", desabafa Fernando.

"Dizer o último adeus seria um conforto para meu coração.", acrescenta Fernando. Outro drama é de Rejaine Martins Pires, de 41 anos, a mulher tentava liberar o corpo do filho, morto após ser espancado.

Funcionários do Departamento de Médico Legal (DML) informaram ao GAZETA DO DIA, que da mesma forma que os corpos chegam eles ficam, segundo o funcionário, a necrópsia não esta sendo feita, os corpos vão direto para o congelador, sem análise médica. Segundo o Governo do estado, a Justiça decretou a ilegalidade da paralisação, portanto, a categoria está descumprindo uma decisão judicial.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado (SESP), informou que espera que a categoria obedeça a ordem judicial e retorne suas atividades. Procurado, o advogado do Sindicato dos Médicos do Estado (Simes), Télvio Valim, disse ter conhecimento sobre a ordem judicial, mais que o movimento vai continuar.

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