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Suspeito de ter mutilado mais de 15 mulheres é aprovado no 'Mais Médicos'

ADRIANA REIS
do JORNAL PRINCIPAL, em Goiânia, (GO)

José Cury Mansilla,  de 56 anos, acusado de mutilar
aproximadamente 18 mulheres em cirurgias estéticas.
O médico afirma ter feito 'tudologia'.
O Ministério da Saúde selecionou para o programa 'Mais Médicos', um médico acusado de ter mutilado e causado lesões corporais em aproximadamente 18 mulheres em Manaus. Carlos José Cury Mansilla, ex-deputado federal, de 56 anos, iniciou suas atividades em um posto de saúde em Águas Lindas de Goiás, no interior do estado de Goiás. De acordo com o delegado Mariolino Brito, da 1ª Delegacia de Manaus, Cury é denunciado por procedimentos cirúrgicos realizado entre 2009 e 2012.

As queixas, segundo o delegado, era de mulheres que se diziam insatisfeitas com o resultado das cirurgias plásticas. "Operações nos seios, abdômen, glúteos, as pacientes alegaram que não ficou da forma que elas queriam. Outras apresentava lesões, sequelas, em decorrência do procedimento cirúrgico.", disse. O médico chegou a ser suspenso por seis meses pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (Cremam). 'Prova inequívoca de procedimento danoso realizado pelo médico, com fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação, caso o profissional continue a exercer a Medicina', disse a decisão do conselho.

O Conselho Regional de Medicina de Amazonas abriu procedimento de sindicância, as pacientes atendidas pelo médico foram periciadas, segundo o conselho, o médico efetuou procedimentos não normalizados pelos protocolos da norma culta científica da Medicina brasileira. Segundo o presidente do Cremam, Jefferson Jezini, Cury foi comunicado no dia 01 de agosto deste ano que deveria devolver sua carteira profissional em 24 horas, o que não aconteceu até hoje. Jezini acusa José Cury Mansilla de 'má fé profissional'.

O médico confessa não ter especialidade com cirurgia plástica, ele conta que trabalhou por 28 anos como cirurgião-geral do Hospital Regional de Guajará-Mirim, em Rondônia, e já realizou cerca de 20 mil operações. "No interior do Norte, minha filha, nós somos especializados em tudologia.", disse. 

Vitimas

Dóris Areal, de 51 anos, precisou gastar mais de R$ 100 mil
 reais para reparar os danos de uma cirurgia plástica.

"Eu tive de realizar três procedimentos. No primeiro, eu não fiquei com o tamanho do seio que tínhamos acertado. Tentamos mais uma vez e não deu certo. Na última, ele já me atendeu muito mal e senti muita dor na anestesia, que ele mesmo aplicou.", conta Celiane Eduardo Santos, que entrou na justiça contra o médico e exigiu uma indenização de R$ 18 mil reais.

A corretora de imóveis Dóris Areal, de 51 anos, precisou gastar mais de R$ 100 mil reais para reparar os danos de uma cirurgia plástica, segundo ela, feita por Carlos Jorge Cury Mansilla. Por indicação de um colunista social, a corretora fez uma lipoescultura e uma abdominoplastia com o suposto cirurgião, os resultados não agradou a corretora. Ela conta que pagou R$ 22 Mil reais ao suposto cirurgião. Segundo ela, foi difícil encontrar médicos para conseguir reparar os danos causados por Cury em seu corpo. "Eu quase perdi meus seios e nenhum outro especialista quis mexer. A minha ginecologista foi quem me ajudou.", disse.

Em Janeiro de 2013, o médico chegou a ter a prisão preventiva decretada pela Justiça de Manaus por lesões corporais graves em pacientes. Segundo as denúncias, três pacientes teriam ido a óbito após realizarem procedimentos com o suposto cirurgião plástico. O JORNAL PRINCIPAL teve acesso ao pedido de prisão feito pelo então delegado Mariolino Brito.


Uma outra vitima mostra a cicatriz de um procedimento
 feito pelo médico.
Outra paciente mostra a sequela em um de seus seios da cirurgia
feita pelo suposto cirurgião plástico.

"As vítimas, seduzidas pela propaganda de cirurgia plástica de Cury, realizaram vários procedimentos cirúrgicos para fins estéticos, entretanto, os objetivos não foram alcançados, tendo havido insucesso nas cirurgias praticadas nas vítimas, fazendo com que elas passassem a conviver com cicatrizes e mutilações pelos seus corpos e algumas estão em depressão, tendo outras indo a óbito.", diz o texto. No texto o delegado afirma que, 'o médico agiu de forma negligente, imperita e imprudente, sem observar os efeitos danosos de suas ações desastrosas.'.

Vitimas:

Doris Miriam da Cruz Areal,
Claudiane Ribeiro Maia,
Solange Andrea dos Santos Bernardino,
Yara Glaucia Vieira Aguiar,
Naize Nascimento da Silva,
Thanany Marcela Fuzari,
Maronize de Lima Salles,
Ana Ely Sobralino Cavalcante,
Anatercia de Souza Santos,
Ana da Silva Machado,Domingas Pereira Liboria

Mais Médicos

Mesmo com seu registro suspenso o médico conseguiu se inscrever para o programa 'Mais Médicos', do Governo Federal. O médico conseguiu graças a um segundo registro do Conselho Regional de Rondônia (Cremero), que permanece válido. Segundo o Ministério da Saúde, o médico usou o número de seu segundo registro na inscrição, não houve pendencias, e o médico foi autorizado a autuar no interior de Goiás.

O Ministério da Saúde informou que busca saber qual o procedimento deve ser tomado juntamente com o Conselho Regional de Rondonia em relação ao médico. O Ministério da Saúde solicitou um parecer do Conselho Federal de Medicina para que órgão defina a situação do profissional.

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